Terror com Características Chinesas
O cinema de terror chinês opera sob restrições e tradições que o tornam fundamentalmente diferente do terror ocidental. Não há equivalente ao filme slasher americano ou à tradição japonesa de fantasmas onryō — o terror chinês extraí de um ecossistema sobrenatural construído sobre 鬼 (guǐ) fantasmas, exorcismo taoísta, justiça kármica e a crença persistente de que o limite entre os vivos e os mortos é negociável.
A idade de ouro do gênero foi em Hong Kong nas décadas de 1980 e 1990, quando cineastas combinaram o folclore tradicional de fantasmas chineses com coreografias de ação, comédia e romance de maneiras que nenhum outro cinema nacional conseguiu replicar. A produção de terror da China continental tem sido mais restrita — as regulamentações do governo proíbem tecnicamente representações de fantasmas e superstição na mídia, levando a uma cultura criativa de contornos onde cada evento sobrenatural deve ser "explicado" como um sonho, alucinação ou episódio psicológico. Isso, paradoxalmente, produziu um horror psicológico genuinamente inquietante.
Os Filmes Essenciais
Mr. Vampire (僵尸先生, 1985)
O filme que inventou o cinema moderno de jiangshi (僵尸, jiāngshī — "cadáver rígido"). Lam Ching-ying interpreta um sacerdote taoísta que deve parar um vampiro que pula enquanto gerencia dois aprendizes incompetentes. O gênio de Mr. Vampire está em seu tom: momentos genuinamente assustadores alternam-se com comédia pastelão, e os rituais taoístas são apresentados com detalhes suficientes para parecerem autênticos. O filme estabeleceu todas as convenções visuais associadas aos vampiros chineses — as roupagens da Dinastia Qing, os braços estendidos, o andar saltitante, os amuletos de papel amarelo.
Gerou pelo menos quatro sequências diretas e dezenas de imitadores, criando um subgênero que dominou o cinema de Hong Kong por uma década. Lam Ching-ying se identificou tanto com o papel do sacerdote taoísta que interpretou variações dele em mais de vinte filmes. O impacto cultural foi enorme: uma geração inteira de crianças chinesas cresceu com medo de cadáveres saltitantes e arroz grudento.
A Chinese Ghost Story (倩女幽魂, 1987)
O produtor Tsui Hark e o diretor Ching Siu-tung pegaram a história de 聊斋 (Liáozhāi) de Nie Xiaoqian e a transformaram em um híbrido de romance, ação e terror que se tornou uma das maiores conquistas do cinema de Hong Kong. Leslie Cheung interpreta um infeliz estudioso que se apaixona por um fantasma (Joey Wong) controlado por um demônio da árvore. A combinação de emoção genuína, espetacular ação de wire-fu e imagens sobrenaturais aterrorizantes provou que o terror e o romance não eram apenas compatíveis, mas parceiros naturais.
A influência foi vasta. A Chinese Ghost Story apresentou o 狐仙 (húxiān) — espírito raposa — e o gênero de romance fantasma a públicos internacionais e estabeleceu um modelo que os filmes de fantasia chineses ainda seguem. A interpretação de Joey Wong como Nie Xiaoqian — etérea, trágica, capaz — se tornou o arquétipo da fantasma feminina simpática no cinema chinês.
The Eye (见鬼, 2002)
O Pan...